A VERDADE É UMA REALIDADE DE FATO OU UM FILTRO QUE COLOCAMOS PARA ADEQUAR UM FATO À REALIDADE QUE VIVEMOS?

Cada pessoa reage ao mundo que a cerca de uma maneira específica. Somos fadados a acreditar em algo por conta da circunstância, pelo nosso momento de vida, pela nossa necessidade ou porque não avaliamos as coisas do jeito que elas realmente são. 
Estamos vivendo um momento, para citar o exemplo de nossa política, em que as narrativas sobre determinados assuntos são absolutamente discrepantes entre grupos cujos interesses são diferentes. Cabe àquele que acompanha a política acreditar em uma delas ou ter sua opinião pessoal. Para os que acreditam em uma das narrativas, aquela passa a ser uma realidade, o que não implica que seja uma verdade. Para aquele que opta por ter uma opinião pessoal, independentemente das narrativas, está criada uma terceira linha de pensamento, que não necessariamente é a verdade, mas que passa a ser a realidade daquela pessoa. 
Tenho muitos paciente que optam por olhar a metade vazia do copo quando voltam para reavaliação de seus tratamentos. Mesmo que eles estejam evoluindo muito bem. Fazem isso por vários motivos, mas vou citar aqui dois ou três deles apenas para ilustrar. Suas expectativas são muito elevadas no que tange ao tempo para se alcançar determinados resultados, não conseguem compreender que seus casos são mais difíceis, complexos e, eventualmente podem nunca chegar ao resultado que esperam, ou estão vivendo um momento complexo que envolve, além do sofrimento com os cabelos, outros sofrimentos, e isto os impedem de perceber que estão evoluindo bem. Nesse caso, de quem seria a verdade? A do profissional que avalia (e com seu conhecimento consegue perceber que o tratamento vai bem), a do paciente que tira suas próprias conclusões ou a de uma terceira pessoa que expressa uma opinião positiva ou negativa sobre o resultado?
Poderia fazer o mesmo exercício reflexivo sobre os pacientes que olham para a metade cheia do copo. Muitas vezes nem estão evoluindo tão bem, mas acabam se sentindo estimulados com qualquer melhora e isso os põe para frente. Quem sabe até mantendo-os com mais disciplina e afinco no tratamento, algo que o paciente que tem o olhar mais pessimista tende a não fazer. 
Afinal, quem está mais certo, o otimista ou o pessimista? Se o pessimista e o otimista fossem gêmeos idênticos, e tivessem chegado à clínica com o mesmo padrão de calvície e evoluído com o mesmo grau de melhora, quem estaria com a verdade?
Foi por conta disso que fiz a pergunta que dá título a este texto. A VERDADE É UMA REALIDADE DE FATO OU UM FILTRO QUE COLOCAMOS PARA ADEQUAR UM FATO À REALIDADE QUE VIVEMOS? 
Às vezes, por mais que eu tente me convencer do contrário, tenho a sensação de que a verdade única não existe. Mas que existe a verdade de cada um. E as relações se tornam mais ou menos favoráveis, sejam elas no trabalho, entre profissional e cliente, familiares, afetivas, de acordo com aquilo que nos permitimos ou desejamos acreditar. Essa escolha pode tornar nossa vida um paraíso, mas também um inferno.
E você, no que quer acreditar? Qual a verdade que está escolhendo para a sua vida?

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