CONSIDERAÇÕES SOBRE ALGUNS EXAMES PARA DIAGNÓSTICO DE PROBLEMAS CAPILARES

Alguns equipamentos de diagnóstico precisam de dois elementos importantes para se fazerem valer. Primeiro, uma boa técnica de utilização, e, em segundo lugar um profissional que tenha condições de ler o resultado de forma adequada. Há técnicas e equipamentos que servem muito mais para florir o atendimento do que para validar de fato um diagnóstico. 
Vamos dar o exemplo de um modelo diagnóstico que é de excelência, a biópsia de couro cabeludo. A somatória da história clínica, com o exame físico, mais a biópsia raramente causam  equívoco na avaliação médica capilar. Porém, se a biópsia for colhida de uma área onde o problema não exista, onde não há acometimento pela doença, todo o diagnóstico fica comprometido. 
O mesmo vale para o tricograma, exame em que uma amostra de cabelos é obtida a partir do couro cabeludo para que o profissional possa quantificar a proporção de cabelos em fase de crescimento e em queda. Se a amostra for colhida em uma área onde o paciente não tenha perda capilar excessiva, o diagnóstico fica comprometido. Se o paciente tiver lavado em menos de 48h antes do exame, o resultado também fica comprometido. Se a amostra coletada for pequena demais (contagem de cabelos menor que 50 fios, por exemplo), a avaliação fica comprometida. 
Exames tecnológicos, muitas vezes queridinhos daqueles que querem realmente confirmar um problema, caso do Trichoscan, por exemplo, ajudam muito se forem feito da maneira adequada e com uma técnica perfeita. A área fotografada deve ser a mesma área que vai ser reavaliada após alguns meses e, para isso, uma marca com pigmento de tatuagem deve ser realizada para que o profissional possa fotografar no local exato onde a primeira imagem foi feita. Parece complexo de explicar, mas mais complexo é perceber que alguns pacientes acabam se iludindo com exames que foram feitos em áreas diferentes das originais e, quando temos este exame sendo feito como um comparativo para avaliação e antes e depois de tratamento, resultados não tão precisos acabam sendo obtidos. 
Acredito nos exames. Mas entendo que a técnica para que eles possam ser validados deve ser perfeita. E para isso uma metodologia padrão deve ser respeitada. 
Já fui perguntado sobre o porque eu, que gosto muito do Trichoscan não uso ele na clínica, ainda que eu tenha esse equipamento. Já há algum tempo meu sistema de diagnóstico com Trichoscan (um software que avalia cabelos em crescimento e em queda, contagem de fios por área e percentual de afinamento dos fios), é periodiocamente emprestado para universidades para que alunos possam fazer trabalhos de conclusão de curso de graduação e pós. O motivo se dá pelo fato de que a metodologia para coletar os dados necessita que se raspe a cabeça dos pacientes em uma pequena área onde, normalmente, o problema dele aparece mais. Raros são os pacientes que aderem à ideia, assim como raros são os que aceitam de bom grado o arrancar de cabelos do Tricograma. 
Uma alternativa confiável, que tem elevado índice de publicações científicas, e que pode ser utilizada com facilidade na consulta é o tricoscópio. Este equipamento, um modelo de câmera que amplia entre 50 a 250 vezes a imagem, permite projeção na tela de um PC, assim como, também, em um monitor ligado ao PC. Não necessita coleta de pele, cabelo ou corte de cabelo para uma boa avaliação do couro cabeludo e dos cabelos. Essa é a ferramenta que eu mais uso tanto para colaborar com o diagnóstico quanto para as avaliações de tratamento. 
Mesmo falando de métodos que usam ou não tecnologia, para o profissional é fundamental um bom preparo para coletar as informações de maneira adequada, examinar os cabelos e couro cabeludo com olhos atentos (sem nenhum equipamento), e, apenas após isso, lançar mão de metodologia armada, como o tricoscópio. Na dúvida, como médico, se a história clínica, o exame físico e a tricoscopia não me ajudara, ainda posso coletar amostras de pele para uma biópsia. Esse exame, quando feito por um dermatopatologista experiente, é aquele que acaba ajudando o médico a solucionar o mistério diagnóstico, quando ele é ais difícil de alcançar. 
PS: Exames de sangue e exames de imagem ajudam a incluir e a excluir possíveis causas e, com isso, permitem chegar ao diagnóstico. São, muitas vezes, essenciais, mas não mandatórios. 

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