COMO CUIDAR DE MULHERES QUE NEGAM O DIAGNÓSTICO DA CALVÍCIE FEMININA

Uma das principais conversas que tenho com meus alunos vêm de suas experiências com pacientes do sexo feminino com alopecia androgenética. Como é difícil uma mulher aceitar este diagnóstico.
Um dos casos mais complexos que eu tive foi de uma paciente que foi a seis médicos diferentes e pediu biópsia para todos eles. Nem todos optaram por solicitar biópsias por acharem desnecessário, mas quatro deles, encaminharam o material coletado para bons dermatopatologistas e todos eles confirmaram o diagnóstico. 
Fui a sétima opinião médica (me senti lisonjeado, já havia sido a décima terceira opinião de uma outra paciente), segundo ela Ainda se negava a aceitar o diagnóstico, além de se negar a tratar o problema. Há coerência nisso, só se nega a tratar algo quem não crê que tem o problema ou pacientes teimosos e rebeldes. Tudo bem, há um terceiro grupo, aqueles que não ligam para a perda capilar (normalmente homens que aceitam a calvície) e um quarto, aqueles que cansaram do tratamento e se negam a usar por isso. Mulheres normalmente morrem de medo de ficar careca, então, entendo o desespero de algumas e sua vontade de fazer o que puderem para manter a queda de cabelos e a negação de outras quando diante deste diagnóstico. 
Do ponto de vista do profissional algo há de ser feito. E, dentro do que creio como ideal, nessas horas, temos de usar todo repertório que temos à nossa disposição para ajudar a paciente. Não se trata de convencê-la a força. Não se trata de fazer exames diferentes, como um teste genético. Muitas vezes a pessoa que negou 4 biópsias positivas para um diagnóstico pode vir a negar até um teste genético que venha se somar e validar ainda mais os resultados prévios das mesmas. Parece loucura, mas não é. 
Chamo de repertório a capacidade de ouvir e tentar identificar qual o motivo que leva essa paciente à negação de seu problema. Uma escuta ampla e irrestrita, em um ambiente confortável, em que a paciente se sinta à vontade para se abrir e trazer à consulta o que pensa sobre o diagnóstico da alopecia androgenética, o que a amedronta caso o diagnóstico realmente seja este e o que seria o pior cenário para ela diante da alopecia androgenética é um bom começo. 
Só de compreender esses três pontos já começamos a ter uma ideia daquilo que pode ser um caminho, as brechas que podemos encontrar para ajudar essa paciente. Devemos inicialmente desmistificar  o que ela pensa quanto ao cenário atual da doença, além de trazer projeções, possibilidades e benefícios que os tratamentos podem promover, fazendo-a compreender que deveria ao menos tentar começar e manter os cuidados por um certo tempo em vez de abdicar de tratar. Dar uma chance ao tratamento, uma vez que a possibilidade de ajuda é possível e de fazer mal é mínima. Se ela estiver em um estágio inicial e moderado de redução capilar, naturalmente que a evolução será mais otimista. Ainda assim, nos casos mais severos, quando melhoras significativas não costumam ser a realidade, alguma melhora pode acontecer.  
Mais do que qualquer profissional de saúde, principalmente quando falta a nós substrato para compreender de forma mais profunda a paciente, um psicólogo deve participar do processo de cuidado dessas mulheres. Nenhuma biópsia a mais ou nenhum teste genético vai ter papel mais positivo no processo recuperação delas do que um bom psicólogo. A abordagem conjunta do tricologista ou terapeuta capilar com o psicólogo fortalece o tratamento e tem um efeito tremendo na melhora clínica e psíquica dessas mulheres. 
Escrevo este texto no dia 29 de agosto e há dois dias atrás, no dia 27 de agosto, é comemorado o dia do psicólogo. Meu respeito e abraço a esses profissionais que atuam de forma tão bonita na saúde integral do ser humano. 
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