UMA GERAÇÃO DE MULHERES CALVAS - ESTADO ATUAL E PROJEÇÃO PARA O FUTURO


Setenta por cento ou mais dos pacientes que eu atendo são mulheres. Não era assim quando comecei a trabalhar. Creio que já disse isso e temo ficar repetitivo, mas essa é a nova realidade das clínicas de tricologia. Tenho conversado com colegas de vários lugares do mundo que percebem a mesma coisa. As mulheres estão perdendo mais cabelos e a crença é a de que devemos nos acostumar. Em breve, mulheres calvas serão tão comuns quanto homens nas ruas. 
Parece aterrorizador, mas essa realidade se aproxima a cada dia. A susceptibilidade sempre houve, mas não se manifestava tanto, nem tão cedo. Era até frequente vermos senhorinhas após a menopausa, em especial acima dos seus 60 anos, com o couro cabeludo aparente. Mas o cenário da crescente estatística de mulheres calvas tem crescido até mesmo nas meninas que acabam de chegar à adolescência. 
Para a maioria delas é muito difícil aceitar, mas a saúde feminina vem sendo bombardeada por inúmeros fatores que agravam o risco de perda capilar e calvície. Sangramento menstrual excessivo, higiene inadequada do couro cabeludo, excesso de processos químicos, excesso de peso, saúde da tireoide, algumas pílulas contraceptivas, alimentação inadequada, estados de ansiedade, dietas rigorosas, pílulas do dia seguinte, uso de hormônios subcutâneos, anabolizantes, entre tantos outros fatores, deixam as mulheres mais susceptíveis a desenvolverem perdas capilares. O estresse crônico também é causa. Mulheres costumam se adaptar melhor que os homens às multitarefas do dia a dia, mas pagam um preço caro por isso. 
Nas viagens que fiz pelo Brasil e mundo afora, tenho reforçado a minha percepção. Até as mulheres indianas e as orientais, que sempre tiveram seus cabelos associados à força e saúde, estão sofrendo com a maior incidência de calvície. 
Tendo isso em pauta, fica evidente que alguns pontos chave precisam ser abordados nos cuidados com a queda de cabelos nas mulheres. Uma orientação global sobre os cuidados com a saúde é fundamental. Exames complementares que possam informar sobre diversas patologias são essenciais, uma vez que além do hipotireoidismo, a hiperprolactinemia, a síndrome metabólica, as doenças, as adrenais, a menopausa e a síndrome dos ovários policísticos frequentemente causam queda capilar. Doenças inflamatórias reumáticas, como o lúpus sistêmico, também fazem os cabelos cair. E as inadequações de dosagens de ferritina e vitamina D também são critérios de risco. 
Alguns medicamentos são reconhecidamente causadores de queda capilar. Esses precisam ser avaliados e se for o caso, devem ser repensados quando se constata que são fatores causais ou agravantes do quadro. 
Certas terapias hormonais têm sido associadas com saúde, longevidade e redução de peso somado ao ganho de massa magra. Algumas delas podem causar perda de cabelos, apesar de muita gente dizer o contrário. Essas terapias devem e precisam ser repensadas, em especial quando o propósito do uso dessas substâncias é exclusivamente estético. 
Sobre o estresse e a ansiedade, algumas orientações médicas e se necessário, cuidados mais específicos com o estresse devem ser tomados. Não creio que medicações sejam a solução, mas a abordagem de controle do estresse é essencial. 
A propósito, a abordagem medicamentosa é importante quando a calvície é genética ou quando a alopecia é inflamatória e/ou cicatricial.
Os procedimentos médicos e de terapia capilar são fundamentais para a melhora do quadro. Cada caso exige um tipo de abordagem e as esferas médicas e não médicas trabalham sinergicamente para o bom resultado. 
Apesar de reconhecer este novo momento da saúde capilar feminina, entendo o mercado preparado para atender essa demanda. Mas é importante que as mulheres compreendam que os tratamentos são melhores quanto mais cedo começarem. A disciplina em seguir as orientações de maneira adequada também é importante. Tem muita mulher cujo tratamento de cabelos morre na praia, porque não quis seguir as orientações como deveria ter seguido. E, quando isso acontece, quem paga o preço é a própria paciente, por uma certa negligência de cuidados. 
Há luz no fim do túnel, mas neste trajeto creio que haverá um grande número de mulheres que irão perder o timing e encontrar muito cabelo no ralo. Caberá a elas decidirem se querem fazer parte de uma grande população de mulheres carecas ou não. 


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