VIABILIDADE X RESULTADO - O QUE ESPERAR EM UM TRATAMENTO CAPILAR?

Sou chato, eu sei. Costumo ser realista demais e sincero ao extremo quando um paciente me procura para tratar os cabelos e surge com aquelas perguntas extremamente desconfortáveis, do tipo: O que posso esperar de melhora para meus cabelos? Quanto por cento meu cabelo vai melhorar?
Quem me conhece sabe que nessas horas respiro fundo, tomo ar mesmo, penso numa boa forma que, encontrar uma resposta que seja realista, apesar de, nem sempre, essa resposta, ser a que o paciente deseja. Mas preciso ser assim. Meu compromisso com a profissão e meus princípios na medicina me pedem isso. 
Costumo trabalhar sempre baseado em dois pilares que susstentam a minha argumentação. O primeiro deles é a viabilidade de melhora dos cabelos. Existe? Não existe? Com que grau de severidade este paciente chega para mim a ponto de eu ser irresponsável o suficiente para prometer grandes coisas em alguém que tem pouca capacidade de recuperação? Ou, como costumo ver com uma certa frequência, será que esse paciente entendeu que ele precisa ser colaborativo, porque, de minha parte, dentro de minhas limitações que envolvem diagnostico, prescrição e sugestão de procedimentos, não faço nada sozinho, dependo da colaboração dele e do investimento de tempo e atenção que ele dará ao problema que está tratando? 
Quem sabe por isso sou um grande crítico de quem posta fotos "antes e depois". Primeiro porque só posta fotos de sucesso no tratamento. Segundo, porque há uma tendenciosidade nesse tipo de marketing que, subjetivamente quer dizer: Vem aqui no meu espaço que o resultado que eu tive com esse cliente aqui eu vou também ter com você. E isso, todos sabemos, é uma inverdade. 
Não sou milagreiro. Sou médico. Não posso prometer milagres. Posso apenas trabalhar em cima da viabilidade e da possibilidade e, quem entender isso prontamente, vai compreender porque exijo que meus pacientes andem de mãos dadas comigo durante o tratamento. 
Natural que consigo ver viabilidade em um couro cabeludo. A história clínica, o exame físico, o exame com tricoscópio e até mesmo os exames complementares realmente podem dar uma ideia do que pode ser o resultao do paciente. Mas, por mais otimista que sejam as notícias vindas dessas fontes de informação, a vida é uma montanha russa. E, ainda que o paciente disciplinado sinta menos frio na barriga pois os altos e baixos e as curvas dessa montanha russa, muitas vezes se tornam mais suaves frente a quem está ferrenho nos cuidados com os cabelos, haverão altos e baixos. Às vezes nem tão altos, ou baixos, mas ainda assim momentos de oscilação. Os que querem que seu tratamento vá mais longe, que seus resultados sejam melhores, mais consistentes, devem se manter focados. Como ouvi de um grande amigo e colega médico Ernesto Scardovelli estes dias: Se escorregar no caminho e sair na brita, aponta o rumo para a estrada de novo e segue em frente. É mais ou menos por ai. Não dá para perder o foco. 
Sou um otimista crônico, acredito que dá para atingir o melhor SEMPRE. Mas não alardeio isso porque não depende só de mim. Depende do meu paciente. Então, prefiro o realismo a uma perspectriva de resultados que, se o paciente não colaborar, dificilmente vai atingir. Queria poder mostrar fotos de antes e depois dos DISCIPLINADOS. Esses sim merecem meu respeito. Porque posso afirmar, por achar que o sucesso de um tratamento não depende ssó de mim, que quem conseguiu evoluir bem foi porque MERECEU. Reforçando, quem MERECE é quem está inteiro no tratamento. Quem não se envolve com o tratamento e fica esperando o milagre, passivamente, vai colher resultados sempre abaixo da média. 
Não gosto de citar trechos de livros religiosos em meus escritos. Mas aqui vai um. Que eu nem sei se é assim que aparece em um dos Testamentos (sequer sei se está no Velho testamento ou no Novo. Mas isso pouco importa, o que vale é a mensagem). Em algum momento (insisto, o que vale é a mensagem), há a frase: Orai e vigiai.  Ou seja, até a fé é um elemento ativo da vida. Rezar só não basta, tem que fazer a sua parte. Falando em termos tricológicos, não adianta nada um couro cabeludo ter viabilidade de melhora, se o paciente não se ajuda. 
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