DIETAS RESTRITIVAS E OS CABELOS - UMA RELAÇÃO DE ALTO RISCO!


A opção de um novo estilo de vida que inclua, dentre outras tantas mudanças, a alteração do tipo de dieta do indivíduo está cada vez mais em voga nos dias atuais. São tantos os tipos de dieta que é fácil se confundir (dieta da maçã, da água, da sopa, da proteína, low carb, detox, da batata doce e ovos, etc). Dentre as dietas que restringem o consumo de produtos de origem animal as mais comuns são a dieta vegetariana estrita (ausência total de carne e derivados animais), a dieta lacto-vegetariana (exclui todos os tipos de carnes, mas inclui leite e laticínios) e a dieta ovo-lacto-vegetariana (exclui todos os tipos de carnes, mas inclui ovos, leite e laticínios). Ainda há o veganismo, um movimento a respeito dos direitos animais. Além das restrições alimentares, tal qual na dieta vegetariana estrita, todas as atividades e produtos que requeiram o emprego ou sacrifício animal são abolidas pelo vegano, desde a escolha de sabonetes que sejam livres de gordura animal até a procura por sapatos e roupas que não usem couro. Questões filosóficas e éticas à parte, certos aspectos deste tipo de dieta, como a eliminação total de determinados grupos de alimentos, incluindo carnes, peixes e laticínios, está diretamente associada a desequilíbrios nutricionais e à falta de vitaminas importantes. Um contraponto, no entanto, deve ser feito. É possível também que um indivíduo que tenha uma dieta sem restrições faça ingestão muito pobre em nutrientes, isso vai depender das escolhas que faz ao alimentar-se.
Há um respaldo significativo na literatura que demonstra que deficiências nutricionais desencadeadas pela eliminação de grupos alimentares essenciais podem causar queda de cabelo (eflúvio telógeno), mudar a sua coloração e torna-los mais frágeis (quebradiços, opacos), como resultado da deficiência de proteína, minerais, ácidos graxos essenciais e vitaminas. A influência da alimentação no que tange à saúde do indivíduo de forma geral é enorme e não seria diferente com os cabelos. Leia o texto do texto do Dr Ademir Jr sobre o impacto do alto consumo de leite de soja na queda capilar (clique aqui). Parafraseando o médico inglês Bessam Farjo, “alguns vegetarianos podem sofrer pela falta de iodo, que é um elemento necessário para a produção dos hormônios da tireoide, reconhecidos por contribuir para o crescimento do cabelo saudável. Infelizmente para os vegetarianos, o iodo é predominantemente encontrado em peixes, ovos e produtos lácteos. Além do mais, evitar fontes alimentares de zinco e vitamina B-12 também pode ser prejudicial para o crescimento do cabelo. Alimentos ricos em zinco incluem carne bovina, suína e de frango, enquanto a vitamina B-12 pode ser encontrada em carnes, peixes e outros produtos de origem animal.” A íntegra da opinião do Dr Farjo pode ser lida neste link.
A deficiência de vitamina B12 é comum entre os vegetarianos, associada a desordens gastrintestinais e após cirurgias de redução de estômago. Como resultado, os cabelos podem tornar-se acinzentados (resultado da diminuição da formação de melanina) e suscetíveis ao eflúvio telógeno. Obviamente, a manifestação capilar é a menor das possíveis complicações, que incluem anemia megaloblástica, neuropatia periférica, etc.
O zinco é cofator essencial de muitas enzimas dependentes de metais e fatores de transcrição. A dose de zinco diária necessária normalmente é advinda da alimentação, mas a deficiência deste mineral é bastante frequente e pode resultar em eflúvio telógeno, cabelos finos, acinzentados e ásperos. Além disso, alterações nas unhas, lesões de pele seborreicas e psoríasiformes nas extremidades e ao redor da boca, infecções, a exemplo de uma superinfecção com Candida albicans e Staphylococcus aureus, diarreia, distúrbios neurológicos e retardo no crescimento são possíveis efeitos da deficiência de zinco.
Os cabelos são compostos majoritariamente por uma proteína, a queratina. Sendo assim, a ingestão menor de proteínas pode afetar o crescimento capilar. Apesar de ser uma crença bastante difundida, ela ainda precisa ser mais bem apurada cientificamente. Os cabelos poderiam torna-se avermelhados, curtos, finos, ásperos e apresentarem eflúvio telógeno ou eflúvio distrófico em situação de privação intensa de proteínas.
Mais um grupo de substâncias importantes para a saúde dos cabelos inclui os ácidos graxos essenciais, como o ácido linoleico e ácido-linolênico (ômegas 6 e 3, respectivamente), substâncias necessárias para o metabolismo normal. Estes lipídios são componentes fundamentais das membranas celulares e corpos lamelares do estrato córneo. Sua deficiência pode resultar em aumento da queda capilar e nas sobrancelhas. A fonte mais conhecida de ômegas é o óleo de peixe, no entanto óleos vegetais são uma boa fonte de substituição, como o óleo de linhaça, tofu, abacate, nozes e uma variedade de sementes.
Estas são apenas algumas das substâncias que podem ficar em níveis baixos com dietas extremamente restritivas, no entanto a gama de substâncias oriundas da dieta e necessárias para a saúde capilar é muito maior. Para quem optar por aderir a uma dieta como esta é fundamental que o faça com acompanhamento de nutricionista e, eventualmente, médico endocrinologista. Se ainda assim os cabelos e a pele forem afetados significativamente, um médico dermatologista e com conhecimentos em tricologia deve entrar em cena.

Fonte de consulta: Finner, A.M. Dermatol Clin 31 (2013) 167–172.     http://www.farjo.net/blog/?p=1076

Professora Tatiele Katzer
Farmacêutica (CRF-RS 14858)
Doutoranda em Nanotecnologia Farmacêutica (UFSM)
Mestre em Ciências Farmacêuticas (UFRGS)
Docente do Curso de Estética e Cosmética da UNISC (RS)
Docente de pós-graduações nas áreas de Pele, Cosmetologia e Tricologia
Colaboradora do Blog Tricologia Médica




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