CURIOSIDADES E UMA AVALIAÇÃO CRÍTICA SOBRE PROTETOR SOLAR PARA OS CABELOS

O verão é o período do ano no qual mais nos expomos ao sol. Quer queira, quer não, você estará mais tempo sob a incidência da radiação ultravioleta solar e os cuidados de fotoproteção devem ser redobrados. Lembre-se ainda que o fato do dia estar nublado não quer dizer que você pode bobear e deixar de se proteger, a radiação estará sendo emitida da mesma forma.
Há um tempo escrevi um texto sobre COMO PROTEGER OS SEUS CABELOS DA RADIAÇÃO SOLAR. No entanto, volto ao assunto uma vez que a fotoproteção dos cabelos acaba sendo mais lembrada entre os meses de dezembro e fevereiro e, consequentemente, os produtos para este fim vendem mais nesta estação. Pesquisando sobre o tema, encontrei um material publicado pela incrível e sempre muito clara Diana Zoe Draelos, médica dermatologista que espero ter a honra de conhecer algum dia na vida. Compartilho com o leitor algumas informações que ela traz no seu breve artigo para o JCD (Journal of Cosmetic Dermatology):
- O órgão de fiscalização americano (FDA) proibiu em 2014 a utilização do termo proteção solar em produtos capilares, mesmo que esses produtos contenham ingredientes fotoprotetores reconhecidos. No Brasil, não há esta restrição, mas ainda há muito a ser definido. Não sabemos a quantidade de produto que deve ser aplicada, como deve ser aplicada, a cada quantas horas deve-se reaplica-lo, o que fazer em caso de banhos de mar ou piscina, etc...
- O FDA questiona se os produtos protetores solares em spray seriam adequados, uma vez que a aplicação de uma única camada não forma filme contínuo sobre a pele. Em ensaios clínicos foi possível determinar que para que o FPS do rótulo do produto pudesse ser atingido eram necessárias três pulverizações seguidas de espalhamento manual. Isso é possível na pele, mas não no cabelo, por isso PROTETORES SOLARES EM SPRAY NÃO SERIAM UMA BOA PEDIDA PARA OS CABELOS.
- Dentre os aspectos DUVIDOSOS da fotoproteção capilar estão: O produto aplicado seria capaz de cobrir uniformemente toda a haste capilar? Produtos enxaguáveis, como xampus e condicionadores, seriam capazes de conferir esta proteção? O curto tempo de contato seguido de abundante lavagem com água poderia remover as substâncias fotoprotetoras? Na dúvida, DÊ PREFERÊNCIA A PRODUTOS QUE NÃO SEJAM REMOVIDOS DOS CABELOS APÓS A APLICAÇÃO QUANDO SEU OBJETIVO FOR FOTOPROTEÇÃO. 
- A haste capilar não é uma estrutura viva e, portanto, não está suscetível à fotocarcinogênese (indução da formação de células cancerígenas devido à exposição solar). No entanto, as radiações ultravioleta e visível são muito prejudiciais para o valor cosmético e estético dos cabelos, conforme já mencionado neste texto.
CURIOSIDADES
- CURIOSIDADE 1: grande parte da compreensão atual dos danos causados pelo sol aos cabelos vem da pesquisa têxtil em fibras naturais, tais como lã, algodão e seda que descolorem quando expostos à luz solar. Tecidos brancos tendem a assumir coloração castanho claro/amarelo, um processo conhecido como fotoamarelamento.
- CURIOSIDADE 2: a cor natural dos cabelos é conferida pela mistura, em diferentes proporções, dos pigmentos eumelanina e feomelanina que fornecem coloração em tons de marrom a vermelho, respectivamente. No entanto, HÁ OUTRA MELANINA, CONHECIDA COMO OXIMELANINA, encontrada no cabelo humano exposto à luz solar. Ou seja, A OXIMELANINA É UM PRODUTO DE FOTODEGRADAÇÃO.
- CURIOSIDADE 3: CABELOS CLAROS SÃO MAIS SUSCETÍVEIS AO FOTODANO DO QUE CABELOS ESCUROS. Depois de 150 horas de exposição solar de mechas de cabelo loiro verificou-se uma redução de 25-30% do aminoácido triptofano, 25% do aminoácido cistina e 80% do aminoácido tirosina. Estas mesmas mudanças também são vistas no cabelo preto, mas pelo menos 300 horas de exposição ao sol foram necessárias para produzir o mesmo dano. A degradação destes aminoácidos resulta em fragilidade capilar, especialmente porque o aminoácido cistina contém enxofre (o que o torna mais sensível à oxidação) e é responsável por grande parte da força e resistência dos cabelos. Ou seja, PESSOAS DE CABELOS LOIROS OU DESCOLORIDOS PRECISAM DE MAIS CUIDADOS DE FOTOPROTEÇÃO!
- CURIOSIDADE 4:  A PORÇÃO VISÍVEL DA RADIAÇÃO SOLAR (400 – 700 nm) induz principalmente à mudança de cor do cabelo, mas também GERA UM AUMENTO DE 200-300% NO ATRITO ENTRE OS FIOS, INDICANDO DANOS ÀS PROTEÍNAS DA CUTÍCULA.
- CURIOSIDADE 5: CABELOS EM PROCESSO DE DESPIGMENTAÇÃO, TAIS COMO “CINZA” E CABELO BRANCO, SÃO MAIS SUSCETÍVEIS A DANOS FRENTE À RADIAÇÃO SOLAR do que cabelos pigmentados, porque a MELANINA ATUA COMO MOLÉCULA FOTOPROTETORA NATURAL.
- CURIOSIDADE 6: cabelos brancos apresentam maior diminuição na resistência mecânica após 4 dias de exposição à radiação UV do que cabelos coloridos com tonalizante de cor marrom (pigmentação temporária) ou tinturas (pigmentação permanente). Ou seja, UMA DAS MELHORES FORMAS DE FOTOPROTEÇÃO É A TINTURA DE CABELO. QUANTO MAIS ESCURO O PIGMENTO SINTÉTICO, MAIOR A FOTOPROTEÇÃO CONFERIDA.
Enquanto não temos uma legislação mais específica e produtos no mercado com comprovação de eficácia da fotoproteção capilar, o negócio é evitarmos o exagero na exposição solar e elegermos uma boa marca de boné ou chapéu com fotoproteção (tecidos convencionais não processados adequadamente normalmente não apresentam esta capacidade)! Deixar de curtir os amigos, a família e uns dias de relax na beira do mar/piscina/rio/lago/etc... não é uma opção!
Fonte de consulta: Draelos, Z.D. JCD, 13, 1-2, 2014.

Gostaria de desejar ao leitor um excelente final de ano e energias renovadas para o ano que se aproxima. Que 2016 seja de muita luz, amor, evolução e paz no coração!
Com carinho,

Professora Tatiele Katzer
Farmacêutica (CRF-RS 14858)
Doutoranda em Nanotecnologia Farmacêutica (UFSM)
Mestre em Ciências Farmacêuticas (UFRGS)
Docente do Curso de Estética e Cosmética da UNISC (RS)
Docente de pós-graduações nas áreas de Pele, Cosmetologia e Tricologia
Colaboradora do Blog Tricologia Médica
SHARE

  • Image
  • Image
  • Image
  • Image
  • Image
    Comentários Blogger
    Comentarios Facebook