O PRÓPOLIS BRASILEIRO ESTIMULA O CRESCIMENTO CAPILAR. Você sabia?


  Você certamente já ouviu falar do própolis, não é? Seu extrato está presente em muitos produtos para aliviar a inflamação na garganta, seja spray ou pastilha, em cosméticos para os cuidados com a pele do rosto ou para situações específicas, como pós-barba ou epilação. Olha que interessante a nova aplicação para o extrato de própolis que o texto de hoje traz! Um grupo de pesquisadores japoneses estudou o potencial de estímulo de crescimento capilar do própolis brasileiro. O própolis é um produto natural obtido da colmeia de abelhas, formado a partir de substâncias vegetais resinosas e secreções das abelhas. A função do própolis para as abelhas parece ser a de “vedante” para pequenas frestas da colmeia, além de ser um agente antibacteriano e antifúngico. Os povos antigos utilizavam o própolis para fins medicinais, incluindo terapias antitumorais, anti-inflamatórias e para a recuperação de feridas. Os extratos de própolis contêm várias substâncias fisiologicamente ativas, por exemplo, o ácido cafeico, ácido clorogênico, ácido p-cumárico, kaempferide, artepilin C e campferol, todos com efeito anti-inflamatório. Um destaque especial deve ser feito ao ácido cafeico (indutor da diferenciação de queratinócitos, anti-inflamatório e antioxidante) e ao ácido clorogênico (importante para a cicatrização de feridas por favorecer a repitelização da pele e de mucosas). Por ter influência sobre a atividade de células epiteliais, especialmente os queratinócitos, os autores propuseram que o própolis pudesse exercer algum efeito positivo no crescimento capilar.

O que mostraram os resultados deste artigo?
Efeito estimulante do própolis na indução da fase anágena
em camundongos que tiveram os pelos raspados. 
Os animais da linha superior foram tratados apenas com o 
veículo, enquanto os animais da linha de baixo foram
 tratados com o extrato de própolis. 
- O extrato de própolis brasileiro facilita o crescimento capilar em modelo animal. Os camundongos fêmeas (C57B/6N) tiveram os pelos das costas raspados na sua oitava semana de vida, idade na qual os pelos estão sabidamente em fase telógena. A ideia era avaliar se o extrato seria capaz de acelerar a passagem para a fase anágena. Nos camundongos tratados com extrato de própolis (diluído 10 x em etanol 99.5%, 100 microlitros por dia sobre o dorso, durante 3 semanas), a fase anágena foi induzida após 10 dias do procedimento de raspagem, enquanto no grupo tratado apenas com o veículo (etanol 99.5%) foram necessários 18 dias. Após 21 dias do final do tratamento, 33,3% dos camundongos tratados com extrato de própolis apresentavam pelos que cobriam o seu dorso, comparado a apenas 14,3% no grupo tratado com o veículo.


Folículo piloso com queratinócitos marcados
por fluorescência. A imagem do alto mostra
uma distribuição dos queratinócitos mais pro-
ximal (animais não tratados), enquanto a
imagem de baixa (animais tratados com o
extrato de própolis) mostra queratinócitos
distribuídos mais para o alto do folículo.
- O extrato de própolis aumenta a velocidade de crescimento capilar em modelo animal Camundongos fêmeas (C57B/6N) tiveram os pelos das costas epilados com cera na sua oitava semana de vida. Este modelo que usa uma técnica que arranca os pelos induz o reinício sincronizado da fase anágena nos folículos pilosos.  Após 8 dias do procedimento de epilação com cera os camundongos foram tratados com extrato de própolis da mesma forma descrita para o ensaio acima, só que por apenas 3 dias. Queratinócitos da matriz do folículo piloso foram isolados e marcados com um anticorpo fluorescente que pode ser visualizado nos “pontinhos” em vermelho na imagem ao lado. É possível observar que quando os animais foram tratados com o extrato de própolis houve migração mais longilínea dos queratinócitos em comparação ao grupo controle.

Frente a estes e mais um conjunto de resultados os autores deste trabalho concluem que o própolis facilitou a indução da fase anágena e ativou a proliferação dos queratinócitos da matriz, consequentemente acelerando o crescimento da fibra capilar. Como uma última reflexão, os autores sugerem que associar minoxidil, finasterida e própolis poderia estimular o crescimento capilar em pacientes com alopecia androgenética de forma sinérgica, uma vez que atuam por mecanismos de ação diferentes. Nem minoxidil nem finasterida tem demonstrada a capacidade de estimular a proliferação dos queratinócitos como foi demonstrado para o extrato de própolis. Falando em sinergia, quer saber mais sobre o que isso significa pensando nos tratamentos capilares? Leia este texto!
Até a próxima!

Referência: Miyata et al.  J. Agric. Food Chem. 2014, 62, 11854−11861

Profa. Tatiele Katzer
Farmacêutica (CRF-RS 14858)
Doutoranda em Nanotecnologia Farmacêutica (UFSM-RS)
Mestre em Ciências Farmacêuticas (UFRGS-RS)
Professora do curso de Estética e Cosmética da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC-RS)
Professora de cursos de pós-graduação na área de Cosmetologia e Tricologia (ABT, IESA, UNISC)
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