ANSIEDADE, QUEDA CAPILAR E PREVENÇÃO DA CALVÍCIE

Estou lendo o livro Meus tempos de ansiedade do jornalista e escritor Scott Stossel (Companhia das Letras). Um excelente texto e uma boa recomendação para aqueles que se interessam pelo tema. Menos denso que O demônio do meio dia de Andrew Solomon, que trata sobre depressão, o livro de Stossel é um convite para o entendimento desse universo interessante que é a ansiedade.

A abordagem ampla sobre o tema que é analisada sob o ponto de vista histórico, filosófico, biológico, antropológico, médico, religioso e psicológico, é acrescido de experiências pessoais do autor, que sofre de ansiedade severa. Em certos momentos a ironia como conta situações vividas por ele tempera o sofrimento intenso que deve ter sido viver as situações descritas em sua história com a ansiedade.

Apesar disso, a ansiedade e todo o universo que ela cria no entorno do paciente é motivo de grande desconforto, não importa a severidade do quadro. Mesmo sendo essencial para a nossa sobrevivência, a ansiedade nos propõe desafios que passam pela preocupação com situações futuras, receios/medos, pelo desenvolvimento de comportamentos neuróticos até vivenciar sinais e sintomas clínicos mediados pela própria ansiedade em si.

Pensar, racionalizar, entender o mundo, planejar, considerar riscos estão na base da ansiedade. E quanto mais informações temos e menos eletivos somos quanto a elas, mais susceptíveis ficamos a ponto de nos permitir sofrer as influências desagradáveis que a ansiedade nos apresenta. E, em um mundo onde tudo acontece de forma acelerada e nossa paciência está cada vez menos (não sei se a ansiedade aqui é o ovo ou a galinha), viver sem ansiedade é algo quase impossível.

Na dinâmica de meu trabalho com pessoas que sofrem com a queda capilar acabo me deparando com o grande desafio de trabalhar com algo que tem uma resposta lenta e gradual, junto a um paciente que raramente é paciente quanto ao tratamento, e espera resultados rápidos para um problema que responde numa realidade de tempo muito menos rápida do que eles gostariam. Do outro lado da mesa reflito: o que será mais fácil tratar, a queda capilar ou a ansiedade do paciente? Quase sempre me vejo acreditando que tratar a queda será mais fácil que tratar a ansiedade.

Como mostra a figura abaixo, a ansiedade está associada à causa e pode ser um fator desencadeado pela queda capilar (por receio de ficar calvo, por exemplo). Então, ainda que o tratamento reduza a queda dos cabelos, e parte da ansiedade do paciente quanto ao problema melhore, a ansiedade intrínseca dele, aquela que é independente da queda (como motivo), mas que pode estar ligada a ela (como causa), ainda me atrapalha.


Pesquisas tem mostrado que a ansiedade pode gerar reflexos em todo o organismo. Só até onde li no livro de Stossel, e sem ter feito uma pesquisa ampla sobre ansiedade antes de escrever esse texto, estômago, intestino, coração, vasos sanguíneos, pele, sistema imunológico e mudanças nos padrões de comportamento são alvos da ansiedade pela interferência bioquímica que ela gera em nosso corpo. Estudos provam, e estes eu já li há algum tempo, que os folículos pilosos também o são.

Ser ou estar ansioso pode ser uma condição dos dias atuais. Podem também ser, em casos mais severos, motivo de limitações pessoais e/ou sociais, ou de comportamentos considerados doenças psiquiátricas. tratamentos variados existem para a ansiedade. Não existe uma regra, é bem provável que cada pessoa se dê melhor com um ou mais tipos de abordagem para o problema. Desde aquelas mais simples como a prática de exercícios ou da meditação, até aquelas que envolvem terapias ou o uso de medicações.

Se a ansiedade é, realmente, motivo de desconforto para o paciente e seu entrono, certamente deve ser cogitada a possibilidade de ações que reduzam seu impacto no indivíduo. 
Do ponto de vista da tricologia, dos cabelos, da queda capilar e da evolução da calvície, amenizar o quadro controlando os fatores biológicos identificáveis que geram a perda dos cabelos é algo essencial. Como eu já disse, irá reduzir a ansiedade do paciente frente à perda de cabelos. Mas não irá solucionar a ansiedade não vinculada aos cabelos. Essa, por sua vez, deve ser motivo de reflexão por parte do paciente, pois, se realmente o atrapalha, poderá buscar alternativas para reduzi-la a um nível saudável, aquele nível em que a ansiedade é um fator de melhor desempenho para nossas vidas, só assim, ela pode contribuir e não prejudicar a nossa saúde e o nosso bem estar. 

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