ALISANTES CAPILARES NÃO ÉTICOS - UM OLHAR CRÌTICO

Ao longo da história fica muito clara a relevância que os cabelos tiveram para as mais variadas civilizações e culturas, situação que parece tomar uma expressão ainda maior nos dias atuais. 
Isso fica mais evidente na medida que ocorre um melhor entendimento da estrutura capilar, assim como também no cenário cosmético. Com isso possibilidades variadas de transformar os cabelos surgiram, permitindo que, em especial as  mulheres, pudessem ter os cabelos de formas e cores diversas. 
Já faz algum tempo que os métodos alisantes vem sendo mais procurados do que os produtos que favorecem o cacheamento capilar. Um aspecto que parece ter a ver com a moda e a cultura, mas que também agrega o argumento da facilidade dos cuidados com o fios, uma vez que fio lisos são mais "fáceis" de lidar do que os cacheados. 
Fazendo uma avaliação retrospectiva de alguns artigos sobre produtos químicos para alisamento na literatura médica, não é difícil encontrar o termo BKT, utilizado como sigla para o método que em outros países é chamado de Brazilian Keratin Treatment. Fica mito evidente que o tipo de produto que se espalhou por vários países do mundo e chegou a Hollywood foi batizado com nacionalidade. E, pelo que pude conferir, sugere-se mesmo que tenha surgido no nosso país. 
A questão é que o tal do BKT não é um tratamento com queratina, como o nome apresenta, mas um tratamento com formaldeído (formol). O BKT foi motivo de estudos e avaliações em centros de pesquisas mundo afora. Seu risco foi comprovado e seu uso rejeitado pelos profissionais da área médica pelo dano que é capaz de causar aos fios e à saúde em geral. 
As escovas ácidas, popularizadas após as campanhas e proibição do formol nas composições de alisantes ganharam espaço no nosso mercado. Há, nesse método, também o risco embutido de causar danos aos cabelos e mal à saúde. o ácido glioxílico, componente utilizado para promover o efeito do alisamento, ao ser aquecido, libera formol, podendo, da mesma forma, ser prejudicial à integridade de quem seus cabelos tratados pelo produto, mas, em especial de profissionais que tem a opção de eleger o produto que querem utilizar e, mesmo cientes do risco preferem expor a si e a seus clientes a esses tipos de agentes. 
Infelizmente as escovas ácidas não tiveram até o momento o mesmo tipo de avaliação e estudos que tiveram os produtos alisantes com formol, mas receio que os resultados quanto à saúde dos cabelos e geral de usuários e profissionais não seriam muito diferentes.
Na dinâmica dos atendimentos na clínica, tenho visto muita gente passar por problemas de dermatites e fragilização capilar em virtude de processos químicos não éticos. Apesar de proibidos, tanto o formol quanto escovas ácidas ainda são realizados em espaços de beleza, o que me preocupa muito. Clientes de salões e profissionais que insistem no uso desses compostos tem pago um preço ainda pequeno por isso, uma vez que o risco com esses produtos atinge um percentual pequeno dos clientes a curto prazo, mas poderão pagar caro a médio e longo prazo. Isso porque, os problemas com produtos não éticos transcendem dermatites e danos capilares leves. Com o tempo, um cabelo progressivamente submetido a esses produtos poderá sofrer danos significativos. Quando isso acontece perder o cliente é o menor dos problemas, ainda que seja um grande problema, pois são os clientes satisfeitos que ajudam a formar nossa clientela e que fomentam uma boa reputação profissional, o que não ocorre com clientes que ficaram insatisfeitos por terem vivenciado tragédias capilares de maior ou menor intensidade provocadas pelos profissionais que até então "cuidavam" dos seus cabelos. 
Em médio e longo prazo, esses mesmos profissionais poderão ainda colher riscos para sua integridade física, visto que aspirando esses produtos e tendo contato frequente com eles, ficam mais sujeitos a problemas de saúdes graves que incluem doenças imunológicas, inflamatórias e até mesmo câncer. 
Sabemos que a vida é feita de escolhas e as consequências são frutos dessas escolhas. Deixo aqui meu alerta. Mais um dos alertas que posto neste blog. Cabe ao leitor decidir o que quer para si, para seus cabelos, para sua saúde. 


Referências:
Maneli MH, Smith P, Khumalo NP. Elevated formaldehyde concentration in "Brazilian keratin type" hair-straightening products: a cross-sectional study.J Am Acad Dermatol. 2014 Feb;70(2):276-80.
Boga C, Taddei P, Micheletti G, Ascari F, Ballarin B, Morigi M, Galli S. Formaldehyde replacement with glyoxylic acid in semipermanent hair straightening: a new and multidisciplinary investigation.Int J Cosmet Sci. 2014 Oct;36(5):459-70. 
Ettlinger J1, Kirchen L, Yegles M. Influence of thermal hair straightening on ethyl glucuronide content in hair.Drug Test Anal. 2014 Jun;6 Suppl 1:74-7. 
Lee Y1, Kim YD, Pi LQ, Lee SY, Hong H, Lee WS. Comparison of hair shaft damage after chemical treatment in Asian, White European, and African hair.Int J Dermatol. 2014 Sep;53(9):1103-10.
Dussaud A1, Rana B, Lam HT. Progressive hair straightening using an automated flat iron: function of silicones. J Cosmet Sci. 2013 Mar-Apr;64(2):119-31.
Miranda-Vilela AL, Botelho AJ, Muehlmann LA. An overview of chemical straightening of human hair: technical aspects, potential risks to hair fibre and health and legal issues.Int J Cosmet Sci. 2013 Sep 19. doi: 10.1111/ics.12093. 
Monakhova YB, Kuballa T, Mildau G, Kratz E, Keck-Wilhelm A, Tschiersch C, Lachenmeier DW. Formaldehyde in hair straightening products: rapid ¹H NMR determination and risk assessment. Int J Cosmet Sci. 2013 Apr;35(2):201-6.

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