DERMATOSE ROSÁCEA-LIKE DE COURO CABELUDO - POSSIBILIDADE DE DIAGNÓSTICO DE QUADRO DE ERITEMA DE COURO CABELUDO

Há alguns anos li um artigo que associava quadros de eritema de couro cabeludo (avermelhamento do couro), com o diagnóstico de rosácea. Retomei a leitura dele esses dias quando estive pesquisando sobre a tricodinia (dor de couro cabeludo - vide post sobre tricodinia clicando aqui). 
No artigo, publicado no periódico Dermatology em 2009, os autores citam dois relatos de casos de pacientes que apresentavam eritema de couro cabeludo resistente aos tratamentos convencionais e que foram, por exame histopatológicos, diagnosticados como rosácea. Quando instituído tratamento para rosácea o quadro do eritema cedeu. 
É interessante perceber como o eritema de couro cabeludo tem sido um achado clínico e/ou tricoscópico frequente. Mais de 80% dos pacientes que eu atendo certamente apresentam algum sinal de eritema com ou sem associação com sintomas como prurido, dor, descamação ou lesões ulcerativas. Normalmente apresentam oleosidade da pele, assim como muitos seguem modelos de higienização de couro cabeludo inadequados para o seu tipo de cabelo ou elegem cosméticos inadequados para lavar e condicionar os cabelos. 
A questão é que assim como a tricodinia e alguns tipos de alopecias que víamos menos frequentemente, o eritema de couro cabeludo tem sido um achado cada vez mais frequente. E, naturalmente, tentar entender quais são as possíveis causas do mesmo é algo que tem muita relevância tanto quando há sintomas quanto quando há perda capilar associada. 
Inflamações do couro, as dermatites de couro cabeludo, costumam ser fatores causais ou de agravamento/manutenção de quadros de queda capilar. Combater esse processo inflamatório que se manifesta como eritema de maior ou menor intensidade é de grande relevância para o sucesso no restabelecimento da saúde ou nos cuidados com a alopecia de nossos pacientes. 
São inúmeras as causas de eritema (associado à inflamação de couro cabeludo), As dermatites alérgicas ou não são as causas mais comuns, mas inflamações neurogênicas e erros nos cuidados de higiene e embelezamento capilar não devem ser descartados como motivos para o quadro. 
Não me lembro bem quando comecei a notar que eritemas de couro cabeludo também eram frequentes em pacientes com rosácea. Hoje, tendo em vista a época em que provavelmente li o artigo de referência para esse post, posso até dizer que acredito que fui influenciado pela leitura do mesmo e por isso tenho pesquisado esse diagnóstico de dermatose rosácea-like em couro cabeludo em pacientes com quadro de rosácea de face ou mesmo em pacientes com má resposta ao tratamento com medidas de higiene ou medicamentosos que cursam com eritema nessa região.   
Deve ficar claro para o leitor deste post que os autores preferem referir-se ao diagnóstico do quadro de seus pacientes como dermatose rosácea-like de couro cabeludo e não como rosácea de couro cabeludo. Um cuidado científico em virtude de que, apesar de já ter sido encontrada em couro cabeludo, existem poucas publicações que se referem à rosácea nesta área do corpo. 
Assim como os autores demonstram sucesso terapêutico com medicamento utilizado para tratar a rosácea em suas abordagens frente à dermatose rosácea-like de couro cabeludo, também percebo uma melhora muito considerável quando opto por medicamentos ou procedimentos que atuem combatendo a rosácea em pacientes que tem esse diagnóstico histopatológico confirmado. Naturalmente que toda uma avaliação clínica e complementar deve ser seguida para a confirmação do quadro, mas, via de regra, os pacientes melhoram quando da instituição do tratamento. 
Imagem extraída do artigo utilizado como referência para esse post - Vide referências bibliográficas ao final do post
Finalizo esse texto dizendo que ainda não consegui constatar se o diagnóstico de dermatose rosácea-like de couro cabeludo tem uma influência maior ou menor sobre as alopecias como uma causa associada à rarefação capilar. Isso porque, em minha avaliação, pacientes que trataram a rosácea do couro cabeludo não tiveram nenhuma melhora da queda capilar após o tratamento da mesma.
Por fim, reforço a importância de uma pesquisa diagnóstica bem feita quando da presença de qualquer quadro de eritema de couro cabeludo. De preferência pautada em uma boa história clínica, num exame físico bem feito e até mesmo em solicitação de exames laboratoriais quando necessário. Só assim a abordagem correta frente ao problema poderá ser tomada. 

Referências:
Oberholzer PA, Nobbe S, Kolm I, Kerl K, Kamarachev J, Trüeb RM. Red scalp disease--a rosacea-like dermatosis of the scalp? Successful therapy with oral tetracycline. Dermatology. 2009;219(2):179-181.

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