QUERO MINHA INFÂNCIA DE VOLTA


Quero minha infância de volta - a polêmica sobre crianças e procedimentos químicos capilares
 

Por trabalhar com cabelos é natural que eu esteja ciente da maior parte dos procedimentos químicos capilares que vem sendo feitos em salões. Tenho muitos amigos cabeleireiros, químicos e farmacêuticos que me atualizam sobre todos eles e me colocam a par de seus benefícios e riscos. 

Esses mesmos colegas, assim como amigos, parentes e pacientes também me apresentam histórias difíceis de acreditar, mas que eles garantem que se trata da mais pura verdade, como a realização de procedimentos químicos em cabelos de crianças de dez, seis, as vezes cinco anos de idade. Normalmente incentivados pelas mães, na grande maioria das vezes também usuárias de tais procedimentos. 

Ao perguntar a eles sobre o porquê de crianças serem expostas tão precocemente a esses tipos de procedimentos, a resposta varia. Mas na grande maioria das vezes o que observo são posicionamentos de mães que projetam nas filhas aquilo que entendem como o cabelo ideal para as meninas. Muitas argumentam que suas princesinhas desde cedo tem que se acostumar com tais métodos. Afinal, segundo essas mães, é o melhor para elas. 

Na minha opinião essas mães acreditam que só assim suas filhas ficarão bonitas e bem vistas socialmente, uma vez que seguirão padrões de beleza que elas acreditam que é o ideal para suas filhas. Ou quem sabe, as mães não aceitam suas filhas como elas realmente são, com a beleza natural da infância, e por isso creem que precisam transformá-las em pequenas modelos ou mini adultas. Essa discussão sobre o tema pode ser ampla e muito complexa. 

Além do risco da exposição da criança às químicas - o que pode levar a queimaduras de pele, sensibilização e alergia cutânea, fragilidade ou quebra capilar - os maiores danos que envolvem a realização de procedimentos químicos em crianças está dentro do âmbito psíquico. 

A mensagem que quem autoriza e/ou estimula suas filhas a realizar procedimentos capilares passa para a criança é a de que não podemos nem devemos nos aceitar como somos desde a tenra infância. Uma mensagem que nos é imposta na vida adulta pela mídia, que nos faz acreditar que o tipo físico ideal é o das capas de revistas e de anúncios de moda e que, nesse contexto, também passa a ser estimulada em casa desde os primeiros anos de vida.

O resultado desses estímulos fora de hora serão adultos com uma percepção equivocada do que é o certo e o errado, do que é bonito ou feio, além de crescerem com incapacidade de autoaceitação.

Há outro ponto sério a ser discutido. Pais cujos filhos manifestam problemas de saúde relacionados ao uso de métodos químicos de salão são responsáveis legais por esses danos e poderão ser chamados à justiça para se explicarem. Será que em algum momento aqueles que estimulam suas filhas a realizarem procedimentos químicos capilares desde muito cedo já pensaram sobre isso? Sabem das consequências que podem sofrer na justiça por expor seus filhos a riscos para a saúde?

Por fim, entendo que devemos estimular nossos filhos a ser quem eles são. Que devam crescer amados e se aceitando para desenvolver sua autoestima e autoconfiança pautadas não apenas nos aspectos físicos, mas também nas qualidades individuais de intelecto, comportamento e saúde emocional que fazem parte de seu todo. Só assim teremos uma sociedade saudável e baseada nos reais valores do ser humano.
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