Queda de cabelo masculina x queda de cabelo feminina

Queda de cabelo masculina x queda de cabelo feminina - o comportamento dos sexos quando enfrentam o problema da queda capilar
5 de fevereiro de 2013


Resolvi escrever esse texto porque verifico que há uma grande diferença de comportamento entre os sexos quando diante da queda capilar. O que vou me propor a escrever aqui não é uma regra, não é algo que vejo em todos os pacientes que atendo, mas sim uma tendência, observada na avaliação que tenho em meus atendimentos e que me ajuda muito a conduzir meus pacientes.
Homens costumam ser mais breves em suas respostas, poucos chegam falando demais e se antecipando às perguntas que faço. Não é incomum o paciente responder às perguntas da anamnese (história clínica) de forma monossilábica, o que me exige um esforço maior em colher as informações necessárias.
Geralmente fazem pouco caso do problema e indicam alguém que está mais preocupado do que eles com o quadro, uma namorada, noiva, esposa ou, no caso dos mais jovens, a mãe. Esse fato, em especial, não se comprova nas consultas que se seguem, uma vez que desde o momento que voltam para avaliação acabam sendo críticos demais frente ao tratamento. É aí que realmente mostram sua real preocupação frente à perda capilar.
Importante perceber que os homens costumam apresentar o estresse de suas vidas como algo irrelevante. Se dormem mal, trabalham exageradamente ou são obrigados a vivenciar pressões excessivas em suas rotinas, consideram isso como algo normal. Parecem não se incomodar com esse estilo de vida que é extremamente agressivo para sua saúde.
Comparado com as mulheres, costumam se preocupar menos com a alimentação. Comem mal via de regra, respeitando menos os intervalos de tempo entre as refeições e os conceitos básicos de uma alimentação saudável. Normalmente, quando decidem se tratar, costumam ser excelentes pacientes. Usam a medicação de forma regular e, quando isso ocorre, costumam ser premiados pela sua disciplina com resultados mais consistentes.
Porém, tendem a ser mais relapsos quando diante de um problema que exija cuidados mais prolongados. Abandonam com mais frequência o tratamento e costumam ser menos disciplinados nos comparecimentos aos retornos para reavaliações e redirecionamentos dos tratamentos.
 

Mulheres, ao contrário, com frequência nem precisam de um direcionamento da história clínica. Costumam contar tudo, com uma organização extrema no relato e fazendo associações do problema com eventos pregressos (químicas, doenças, estresses, etc.). São mais emotivas quando falam sobre a perda capilar e demonstram uma preocupação extrema, mesmo quando estão diante de casos leves e iniciais.
Tendem a temer ser portadoras de alopecia androgenética feminina, pois costumam ver nesse diagnóstico uma condenação à perda capilar severa. Demonstram mais sua susceptibilidade ao estresse em suas falas, reclamando de seus cotidianos atarefados e das exigências do trabalho e de casa.
Apesar disso, eu observo nos últimos anos uma mudança desse padrão nas mulheres que estão no mundo corporativo. Essas, em especial, acabam por desenvolver uma conduta de pouca valorização do estresse de suas vidas, tal qual os homens.
Na minha observação, mulheres cuidam melhor da alimentação. Ainda que de vez em quando acabem avançando nas “bobagens” aos finais de semana ou no meio da tarde quando bate aquele vazio no estômago. Interferem mais no tratamento. Acabam tendo condutas diferentes das dos homens frente aos cuidados com os cabelos e, por conta disso, ficam mais expostas às químicas, agressões térmicas (chapa e secador) e ao uso de cosméticos em geral. Agregam xampus, condicionadores, máscaras, produtos sem enxague que, apesar de bem intencionados, podem interferir no resultado esperado do tratamento.
Mulheres, ao contrário dos homens, são mais persistentes nos tratamentos capilares. Costumam faltar pouco nos retornos e tendem a estar mais ávidas pelos comentários médicos sobre o tratamento. São mais exigentes em termos de tempo e resultados. Em outras palavras, esperam resultados mais rápidos do que os possíveis, uma vez que os tratamentos capilares costumam ser longos e com percepção de melhora mais tardia do que outros tratamentos médicos. 

Para mim essas diferenças, que reforço aqui serem uma tendência mas não uma generalização, são o que me dão prazer e satisfação de atender aos pacientes, independentemente do sexo. Cada dia de trabalho é único. Cada paciente é diferente do outro nos detalhes, no estilo de vida, nos problemas pessoais, nas emoções, nas manias, nos hábitos e nas necessidades. E mesmo que eu atenda 15 pacientes em um dia tendo todos eles o mesmo diagnóstico, ainda assim, terei visto 15 formas diferentes do mesmo problema e, possivelmente tratarei os 15 com prescrições diferentes. Até porque, é o desafio de buscar o melhor para cada paciente que me procura que me faz sair da cama com alegria todas as manhãs para um novo dia de trabalho.
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