As fases da calvície - baseado em texto do livro Socorro, estou ficando careca

As fases da calvície - baseado em texto do livro Socorro, estou ficando careca
2 de julho de 2012


Há alguns anos, quando escrevi o livro Socorro, estou ficando careca, não imaginava que continuaria me dedicando a escrever livros, mas estava certo de que continuaria tratando pacientes com queda de cabelos. Vieram depois os títulos. É outono para meus cabelos e, mais recentemente, Como vencer a queda capilar, novos livros sobre a perda dos fios de cabelos.
Na página 48 do livro Socorro, estou ficando careca, há um texto sobre o qual gostaria de fazer um post neste blog e que fala sobre as fases da calvície e o comportamento dos que estão ficando calvos na medida em que a calvície progride.
O texto faz uma analogia às fases que passam os pacientes terminais segundo descrição da psicóloga Elizabeth Klüber-Ross em seu livro Sobre a morte e o morrer. Klüber-Ross afirma que quando um paciente recebe a notícia de uma doença grave ele normalmente manifesta comportamentos específicos que se sucedem na medida em que a doença progride. De certa forma, a mesma sequência comportamental pode ser notada quando estamos diante de pessoas que estão evoluindo com problemas capilares.
A primeira fase é a da negação, quando o paciente parece não acreditar que está sofrendo com o problema. Sofrem com a possibilidade e o medo de ficarem carecas e partem para comportamentos de isolamento ou de total negação do fato.
A segunda fase é a da raiva. Não muito presente nos pacientes com calvície, costuma acontecer principalmente quando o quadro é de queda genética. Essa raiva se manifesta gerada por uma certa revolta contra o problema e quanto à origem dele.
Após a negação e a raiva surge a fase da barganha ou do acordo. Neste momento os pacientes estão dispostos a qualquer conduta milagrosa ou a qualquer sacrifício, por mais estranho que seja, para evitar que o problema continue piorando. Ficam então seduzidos pelas vigarices do mercado, investindo dinheiro e tempo em produtos milagrosos a que possam se apegar. É nesta fase também que há o maior risco de os pacientes se automedicarem, um comportamento de risco e que deveria ser evitado a qualquer custo. Há muitos, nessa fase, que chegam à clínica médica com frases do tipo: se parar de cair eu já fico satisfeito, ou: se melhorar 10% vou ficar muito feliz, e ainda: tem jeito de recuperar pelo menos esta área aqui na frente?
Na sequência vem a fase da depressão. Depoimentos tristes de pessoas que parecem ter consciência que perderam a guerra contra o problema. Na grande maioria das vezes porque não tiveram o apoio dos pais, parceiros e familiares em geral ou porque não procuraram a ajuda de um profissional para tratar o problema, tendo ficado apenas limitados às propostas enganosas que o mercado oferece aos montes.
Não é raro dizerem que já usaram de tudo: xampus dos mais variados, tônicos de todas as marcas, vitaminas aos montes, normalmente sem nenhum sucesso. Há aqueles que se automedicaram ou quiseram utilizar o mesmo fármaco que um colega ou amigo utilizou, mas para ele foi um fracasso.
Por fim vem o momento da aceitação, a última fase do comportamento do paciente que está evoluindo para a calvície. O quadro já chegou ao extremo, já está nos graus mais avançados, os esforços que foram feitos não obtiveram o sucesso esperado ou o paciente cansou de tratar.
Acredito que essas fases são parte da evolução de uma calvície, e que o profissional tem que saber reconhecer cada uma delas e interceder junto a seus pacientes para tentar orientar o melhor tratamento. Não apenas de forma medicamentosa, mas tendo em mente que palavras de apoio ou de motivação podem fazer diferença para o paciente que vem em busca de ajuda.
Estruturar uma boa orientação terapêutica e ser parceiro do paciente é algo que se espera de qualquer profissional da saúde. Mas, também,t saber ler nas entrelinhas o que o paciente está querendo nos dizer de forma subjetiva é essencial para qualquer tipo de tratamento.
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